17 de março de 2006

a morte da arquitectura

Com a Rensacença, morreu a tradição da Antiguidade. Segundo o meu chefe, pelo menos (ele gosta de usar frases bombásticas deste género, especialmente sabendo que é um dos major players da arquitectura clássica nos EUA). O argumento é o seguinte: até ao Renascimento, o construtor era o arquitecto. Não sabia ler, mas sabia o suficiente para executar a sua profissão e em certos casos produzir obras de arte. Os edifícios eram proporcionados geometricamente, com métodos muito simples e coerentes (no clássico a secção áurea; no românico o rectângulo √2, no gótico o √3), e que correspondiam ao modo como eram construídos. Em obra, os métodos geométricos aceleravam o processo porque com meia dúzia de ferramentas simples garantia-se a beleza e unidade artística da catedral ou do templo sem precisar de medidas escritas. (já agora, existiam divisores proporcionais em Pompeia). Com o Renascimento apareceu o Homem Ilustrado, que domina todas as artes e letras. O arquitecto, que não construía, conceptualiza aquilo que vê nas ruínas em Roma e transforma-o naquilo que sabe - em números.
Isto é o que o chefe gosta de chamar, noutra das suas tiradas geniais, o analógico vs o digital. Ou seja, as proporções numéricas introduzidas pelo Palladio e amigos são uma aproximação rasca à pureza clássica e gótica (ele defende que o gótico é uma sistema ainda mais sofisticado, ainda que monótono, que o clássico). Veja-se a série de Fibonacci:

1 2 3 5 8 13 21 34 & etc
[cada número é o resultado da soma dos dois anteriores]

se dividirmos 5 por 3, igual a 1,666
se dividirmos 8 por 5, igual a 1,6
se dividirmos 13 por 8, igual a 1,625
se dividirmos 21 por 13, igual a 1,616
se dividirmos 31 por 21, igual a 1,619

Ø, a secção áurea, é quse igual a 1,618, ou seja o valor a que estes números, de uma série fixa, se aproximam. Funciona com quaisquer números iniciais - a série tende sempre para Ø.
(continua)

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